Benfica revela novo emblema em AG tensa com queixa contra Proença
O Benfica teve este sábado uma Assembleia Geral marcada por dois registos opostos: a apresentação de um novo emblema do clube, logo nos primeiros minutos, e um confronto aberto com Pedro Proença, alvo de uma queixa disciplinar entregue em plena sala por um antigo candidato à presidência. Rui Costa respondeu às críticas garantindo que a direção não está «amarrada a ninguém».

Novo emblema estreado aos dez minutos de reunião
A assembleia abriu às 9h32, conduzida por Pereira da Costa, e não tardou a trazer a primeira novidade: dez minutos depois, pelas 9h42, foi apresentado aos sócios o novo emblema do clube. A direção explicou que o logótipo vai substituir gradualmente o atual, com entrada em vigor imediata nos cartões de sócio e expansão progressiva ao resto da imagem do clube.
O momento contrastou com o tom mais crispado que se seguiu, quando a discussão passou das contas e da imagem do clube para a relação com a Federação Portuguesa de Futebol.
Contas de uma época "aquém dos objetivos"
Na apresentação de contas, Nuno Catarino reconheceu perante os sócios que a época desportiva ficou "bastante aquém dos objetivos", ainda que tenha manifestado confiança no percurso da equipa na Liga Europa. Rui Costa foi na mesma linha ao comentar o balanço desportivo: "Não basta ao clube terminar uma temporada apenas com uma Supertaça", disse, numa referência ao único troféu erguido pelas águias na época anterior.
A votação da aprovação de contas e atas manteve-se em aberto ao longo do dia, com sócios a participarem tanto presencialmente como por transmissão online.
Manteigas entrega queixa disciplinar contra Pedro Proença
O momento de maior tensão ficou marcado por João Diogo Manteigas, antigo candidato à presidência do Benfica, que entregou pessoalmente a Rui Costa uma participação disciplinar contra Pedro Proença, subscrita por mais de vinte sócios. O documento invoca os áudios do presidente da FPF tornados públicos em julho, considerando-os "uma afronta inqualificável à dignidade e ao bom nome do Sport Lisboa e Benfica" e uma violação dos estatutos do clube.
Também na intervenção de Manteigas houve críticas à gestão financeira e à política de contratações, além de um pedido de maior firmeza da direção face a nomeações de arbitragem consideradas prejudiciais ao Benfica. Outro sócio, Nuno Lobo, foi mais longe, pedindo a Rui Costa que deixasse de "se ajoelhar" perante o dirigente da federação.
Rui Costa promete mais batalhas judiciais pela centralização
Questionado sobre a relação com Pedro Proença, Rui Costa respondeu que o Benfica "não está nem estará amarrado a ninguém" e recusou o papel de "papagaio falante", expressão com que classificou outras vozes do futebol português mais conciliadoras com a federação. Sobre a arbitragem, lembrou a proposta de reforma entregue à FPF a 11 de setembro, que inclui alterações ao modelo de governação, introdução de uma cultura de auditoria, separação entre nomeações e avaliações de árbitros e modernização tecnológica, incluindo melhorias ao VAR e a divulgação de áudios.
Quanto à centralização dos direitos televisivos, o presidente encarnado reiterou que o Benfica é o único clube a perder valor com o modelo atual e anunciou mais ações judiciais em diferentes instâncias, admitindo que outros clubes poderão juntar-se à contestação assim que os números reais da centralização se tornarem públicos.
Nota final
Entre um emblema novo e uma queixa contra o homem mais poderoso do futebol português, o Benfica fechou mais uma Assembleia Geral a mostrar duas faces do mesmo clube: a da renovação de imagem e a da contestação institucional. A Betganha continua a acompanhar os desenvolvimentos na Luz.

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